Para especialistas, não há
restrição quanto ao ramo de atividade, desde que haja público para consumir esse
tipo de serviço. “Embora o perfil de usuário seja um fator importante que não
pode ser desprezado, em minha opinião, o mais importante tem a ver com o tipo
de produto vendido. Dificilmente alguém vai comprar uma geladeira exclusivamente
pelo celular, embora possa usar o celular para obter informações na hora da
compra”, pondera Elcio Ferreira, diretor da Visie.
O diretor-presidente da
Web Consult, Leonardo Bortoletto, orienta que, assim como para se criar um
e-commerce, é necessário avaliar se o público-alvo possui perfil para utilizar
m-commerce, para que o investimento não seja em vão.
Ferreira orienta aos
lojistas que, ao planejarem suas iniciativas de m-commerce, não tentem incluir
todos os recursos que estão disponíveis em seu e-commerce. É importante que
eles foquem no perfil de uso dos celulares. “Busca rápida e acesso simplificado
são essenciais. Se seu negócio consegue oferecer vantagens usando os recursos da
mobilidade, como geolocalização, faça isso”.
Entre as possibilidades de
uso, o diretor da Visie traz exemplos, como um tipo de produto ou serviço que
só faz sentido se vendido em m-commerce. “Dos exploradíssimos aplicativos,
jogos e ringtones, a serviços como reserva em restaurantes e hotéis. Que tal
chegar ao drive-thru para apenas retirar seu pedido, que já está pronto porque
você pediu e pagou pelo celular? Ou comprar o ingresso para um filme e entrar
no cinema apenas mostrando o celular ao atendente?”.
Ao optar pela plataforma
mobile, o primeiro ponto é estratégico, entendendo qual a vantagem real que a
empresa pode oferecer aos clientes. “Entrar no comércio eletrônico móvel só
porque todo mundo está falando dificilmente vai trazer valor ao seu negócio”,
adverte Ferreira. Depois do planejamento estratégico, as questões técnicas exigem
muitos cuidados. Embora o brasileiro adore celular e os números sejam
animadores, a infraestrutura de conectividade no Brasil não é das melhores.
Além disso, a variedade de aparelhos, sistemas operacionais e navegadores faz
com que a escolha dos fornecedores de tecnologia precise ser feita com bastante
cuidado.
É importante ressaltar que
os profissionais não devem direcionar todas as ações pensando ser o fim do e-commerce.
Na opinião de Bortoletto, o mobile commerce não veio para substituir o comércio
eletrônico, e sim para agregar esforços. “Dessa maneira, nenhum canal usual se
exclui no processo de compra, apenas ganha novas ferramentas para chegar a um objetivo
comum: a conversão em venda. Da mesma forma que o varejo não foi substituído
pelo e-commerce, o m-commerce não substituirá o comercio eletrônico tradicional”.
M-commerce no Brasil
• De
acordo com o estudo do MEF, 79% dos brasileiros já utilizaram o celular em alguma
fase do processo de compra de algum produto ou serviço, colocando o Brasil à
frente da média, que é de 72% entre os países participantes da pesquisa MEF
Global Consumer – o número mede o uso de celular em algum momento do processo
de compra, desde a busca por informações até a compra efetiva.
• Em
junho, durante o Ciab 2011, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban)
anunciou ter chegado a um consenso e que, até o início de 2012, será possível
fazer pagamentos pelo celular.
•
Segundo a CPM Braxis Capgemini, o Brasil é um dos líderes na adoção do
m-payment, pois o número de pagamentos móveis realizados no país chegou a 3,9
milhões em 2010 e cresce.
Principais vantagens do m-commerce
• O
volume de m-commercers disponíveis ainda é pequeno, o que indica baixa concorrência
nesse ramo de atuação;
•A
possibilidade de acesso em trânsito: basta um dispositivo mobile e uma conexão
com a internet (seja 3G, WAP ou Wi-Fi);
• O
número de aparelhos smartphone no país está crescendo. Já são 19 milhões de aparelhos,
segundo estudo realizado pelo Instituto Ipsos Mediact;
• A
previsão é de que o número de celulares convencionais seja em breve
ultrapassado pelo número de smartphones;
• A
demanda quanto à estruturação de uma banda de conexão não é tão significativa devido
ao baixo volume de adeptos de m-commerce, o que impacta de maneira direta nos
custos iniciais de operação;
• A
velocidade de conexão voltada para dispositivos móveis está aumentando. A tendência
de melhora nesse tipo de serviço está acompanhando a demanda por aparelhos conectados;
•
Levando em consideração os diversos tipos de aparelho que terão acesso ao
m-commerce, sua confecção precisa ser simples. Por isso, não há a necessidade
de grandes investimentos para o desenvolvimento de um aplicativo ou um site
WAP. Prima-se aqui a navegabilidade.
*Fonte:
Leonardo Bortoletto – Diretor-presidente da Web Consult e
Vice-presidente
de Inteligência Digital da SUCESU-MG







