Ações ganham novas extensões na era das redes sociais e de consumidores Sustentáveis. Entre as novidades estão as lojas de amostras grátis, ações interativas e que integram o consumidor e o momento que ele está vivendo.
O sampling, ou distribuição de amostras grátis, é uma ferramenta de suma importância para a divulgação dos produtos. A novidade é que ela ganha novas formas de aplicação para tornar o produto conhecido em lançamento ou ampliar o número de pessoas que o conheçam, reforçando sua imagem e aumentando seus consumidores. Guilherme de Almeida Prado, Presidente da AMPRO (Associação de Marketing Promocional), cita as lojas de amostras grátis, que surgiram há alguns meses e que já estão revendo seus conceitos, e também as ações de sampling pela internet e redes sociais. Exemplo: os X primeiros que se cadastrarem vão receber amostras. Marcelo Scalabrini, diretor comercial da S&L Marketing Promocional, cita que a proposta deste tipo de ação é levar ao consumidor um determinado produto, onde quer que ele esteja, com o objetivo de gerar experimentações, discussões e comparações das marcas presentes na vida das pessoas.
Segundo ele, as ações agora estão mais interativas, com a utilização de uniformes, performances das equipes que remetem ao conceito direto do produto e suas vantagens em relação ao concorrente mais próximo, com o único e exclusivo objetivo de formar consumidores fieis.
E, além das ações em bares, restaurantes ou locais públicos de grandes concentrações, estão sendo explorados outros locais, como praças de pedágios nos fins de semana ou véspera de feriados, onde se promovem ações relacionadas à situação do consumidor. “Hotéis, empresas de manutenção de veículos, escolas e vestibulares, entre outros. Ações promocionais, que integram o consumidor e o momento que ele está vivendo, ou seja: viagens, família reunida, conforto, segurança, etc. Mensagens que serão pauta dos próximos 100 km ou de sua próxima viagem”, ressalta Marcelo. Roberto Flesch, sócio-diretor da Agita Brasil, cita que, quanto mais qualidade/diferencial tem um produto, mais importante se torna utilizar o sampling, afinal, se o produto é bom, é importante fazer o consumidor experimentá-lo. Segundo ele, há muitas novidades nas atividades de sampling, não apenas pela evolução da tecnologia/meios digitais, mas pelo maior conhecimento das empresas sobre seus consumidores/compradores.
Roberto reforça que o importante não é apenas entregar a amostra, mas fazer o consumidor se envolver no espírito da marca.
Tendências
Os especialistas apontam as redes sociais e a preocupação com sustentabilidade como as novas apostas para esse tipo de ação. Marcelo Scalabrini cita que “ação corpo a corpo no Brasil é e sempre será o forte, pela forma do brasileiro ser e gostar da proximidade, calor humano, ver o que está acontecendo com seus próprios olhos e mãos”, explica.
Hoje, algumas ações de Sampling não se limitam apenas a abordagem e distribuição de amostras. Atualmente, na internet, que é um meio fluído, plural e avesso ao confinamento, a mensagem é dissipada com muito mais eficiência, explica o diretor comercial da S&L Marketing Promocional. Uma ação de Sampling integrada a uma mídia on-line atinge muito mais consumidores e gera interesse da experimentação. Outro aspecto apontado pelo profissional é o da equipe. A divulgação on-line proporciona uma maior interação dos consumidores com as ações de campo, porque ele recebe uma determinada amostra, já conhecendo a mecânica da ação, facilitando o reconhecimento da marca e/ou produto.
“Recentemente, podemos citar a grande campanha realizada pela Procter Gamble (Oral-B), em que os usuários de uma rede social podiam se cadastrar no website da empresa e solicitar amostra grátis do produto que seria entregue no endereço cadastrado no site”.
Roberto Flesch, da Agita Brasil, concorda que será cada vez mais frequente o uso de tecnologia (internet ou celular) em ações de marketing promocional, inclusive no sampling. “A era digital mudou muita coisa na vida das pessoas, e o sampling aproveitou os benefícios disso”, explica Roberto Flesch. Podemos não apenas fazer a ação de sampling, mas, graças à tecnologia, reforçar com ações de pós sampling, que fortalecem o relacionamento. Atualmente, já há maquinas chamadas de sampling machines que entregam amostras para quem passar na frente, por meio de um contato virtual, geralmente um SMS. “Imagine um sampling sem promotora e com mínima dispersão. Um sampling em que a empresa consegue criar uma base de relacionamento com quem experimentou o produto”. Ações de pós-sampling podem ser executadas sem dispersão, explica o sócio-diretor da Agita Brasil. Outra mudança radical apontada pelo especialista é a oferta de empresas em seus sites. Basta o consumidor solicitar para receber em casa uma amostra de determinado produto. O custo de entrega por amostra é maior, mas há entrega de amostras apenas a quem está interessado no produto. A probabilidade de conversão por amostra é infinitamente maior.
“Nossas ações de sampling estão ficando cada vez mais focadas e em locais do PDV cada vez mais diferentes. Estamos percebendo que são os produtos orientados para nichos de mercado que requerem ações de sampling muito mais focadas. Nossos clientes, por exemplo, não querem apenas falar com donas de casa, agora querem falar com mulheres, jovens, com hábitos saudáveis”.
O presidente da Ampro, por sua vez, aborda outra estratégia dentro das novidades no setor. Segundo Guilherme Prado, a tendência é a mensuração da atividade para identificar se a amostra foi usada e se o consumidor comprou o produto pós-ação. “De nada adianta fazer uma ação por um custo baixo se ninguém usa a amostra que você entregou. Da mesma forma, não adianta entregar amostras para pessoas que usam, mas que não são do target”. Para ele, o desafio é desenvolver atividades de sampling com estratégias inteligentes e com mensuração. E, por isso, é fundamental o cliente entender que o sampling não é apenas contratar equipe e sair distribuindo amostra. Investir numa agência que pense consumidor na estratégia, no planejamento e na mensuração faz toda a diferença.
Sampling X Sustentabilidade
No momento em que alguns clientes começam a prestar mais atenção em ações de sustentabilidade, um dos novos papéis do sampling é levar essa conscientização ambiental até eles. Uma das formas de isso acontecer, segundo Marcelo Scalabrini, é passando a informação de que a produção daquele produto é politicamente correta sob as leis e conceitos da sustentabilidade, bem como os serviços prestados e o aproveitamento das matérias-primas para utilização de novos projetos.
“Conscientizar o consumidor e demonstrar que podemos usufruir de produtos com mais produtividade torna-se fundamental para o processo de propagação da sustentabilidade.” Roberto Flesch cita que, para o marketing, sustentabilidade não é apenas cuidar do meio ambiente e do planeta. No caso de marketing, é atuar de forma responsável e ética perante seus consumidores: “Não forçar (coisa paradoxal para os marketeiros) venda de um produto desnecessário para o consumidor. Estamos percebendo que em sampling isso é ainda mais importante, pois qualquer overpromise é imediatamente percebida pelo consumidor.”
Ele alerta também que a abordagem do público infanto-juvenil (criar a “dependência”) está cada vez mais controlada. “É de se tirar o chapéu para a maneira como algumas empresas já aprenderam a respeitar o consumidor”.
Voltando a falar de sustentabilidade na perspectiva de meio ambiente e como plataforma de sampling, percebemos que ainda estamos engatinhando. Já para o presidente da Ampro, a questão maior é a preocupação com o target, ou seja, saber se a pessoa vai usar o sampling é o principal ponto. “Entregá-lo para alguém que não quer ou que vai se esquecer de usar o produto é desperdício de dinheiro do cliente e lixo desnecessário”, enfatiza Guilherme Prado.
